Meditação

«Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro» (Mt 28,1).  Podemos imaginar aqueles passos:  o passo típico de quem vai ao cemitério, passo cansado da confusão, passo debilitado de quem não se convence que tudo tenha acabado assim.  Podemos imaginar os seus rostos pálidos, banhados pelas lágrimas.  E a pergunta:  Como é possível que o Amor tenha morrido?

A ressurreição não nos é proposta como um repouso na bem-aventurança longe das barafundas da terra, nem como uma recompensa individual e duramente conquistada, nem como uma miragem projectada no futuro de uma explosão cósmica.  É um dom, sim, mas já agora e aqui. 

Eterno Pai,
através da Paixão do vosso dilecto Filho,
quisestes revelar-nos o vosso coração
e dar-nos a vossa misericórdia.

Na mensagem do Papa Francisco para esta quaresma há dois aspectos que me parecem particularmente importantes para nós hoje: o outro é um dom; para vivermos bem o presente é preciso vê-lo com o olhar da eternidade.

O apelo à conversão está presente logo nas primeiras exortações de Jesus: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Marcos 1,15), mas ressoa ainda mais fortemente no tempo da Quaresma.

Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu Jesus (Jo 3,16). Hoje, Ele ama de tal modo o mundo que nos dá ao mundo, a ti e a mim, para sermos o seu amor, a sua compaixão e a sua presença através de uma verdadeira vida de oração, de sacrifícios e de entrega.

Em relação à «vitória» entendida em termos triunfalistas, Cristo sugere-nos um caminho muito diverso, que não passa através do poder e da potência. Com efeito, Ele afirma: «Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos, o servo de todos» (Mc 9, 35).

1. …Encarnando, o Filho de Deus manifestou-se como luz… Fez-se um de nós dando sentido e valor renovado à nossa existência terrena. Deste modo, no pleno respeito pela liberdade humana, Cristo tornou-se «lux mundi – a luz do mundo». Luz que brilha nas trevas (cf. Jo 1,15)…

O mistério da incarnação revela-nos a imensidade incomensurável do amor de Deus por cada um de nós e por cada Homem, criado à Sua imagem e semelhança, chamado a ser Seu filho, no Seu Filho bem-amado, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Virá um dia em que Deus Se há-de mostrar, Um dia verá o fim das nossas lutas, Primavera de glória para as planícies da morte, A sua vida alegre despertará os corpos. E o Deus vivo será para sempre O coração de um mundo aberto ao amor.

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