Meditação

Não vos acomodeis a este mundo.  Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus:  o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito. […]

«Não vos deixarei órfãos» (Jo 14,18)
A missão de Jesus, que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objectivo essencial:  reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos.

Hoje Nosso Senhor Jesus Cristo sobe ao céu; suba também com Ele o nosso coração.  Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Ponde o vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra.

«Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro» (Mt 28,1).  Podemos imaginar aqueles passos:  o passo típico de quem vai ao cemitério, passo cansado da confusão, passo debilitado de quem não se convence que tudo tenha acabado assim.  Podemos imaginar os seus rostos pálidos, banhados pelas lágrimas.  E a pergunta:  Como é possível que o Amor tenha morrido?

A ressurreição não nos é proposta como um repouso na bem-aventurança longe das barafundas da terra, nem como uma recompensa individual e duramente conquistada, nem como uma miragem projectada no futuro de uma explosão cósmica.  É um dom, sim, mas já agora e aqui. 

Eterno Pai,
através da Paixão do vosso dilecto Filho,
quisestes revelar-nos o vosso coração
e dar-nos a vossa misericórdia.

Na mensagem do Papa Francisco para esta quaresma há dois aspectos que me parecem particularmente importantes para nós hoje: o outro é um dom; para vivermos bem o presente é preciso vê-lo com o olhar da eternidade.

O apelo à conversão está presente logo nas primeiras exortações de Jesus: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Marcos 1,15), mas ressoa ainda mais fortemente no tempo da Quaresma.

Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu Jesus (Jo 3,16). Hoje, Ele ama de tal modo o mundo que nos dá ao mundo, a ti e a mim, para sermos o seu amor, a sua compaixão e a sua presença através de uma verdadeira vida de oração, de sacrifícios e de entrega.

Em relação à «vitória» entendida em termos triunfalistas, Cristo sugere-nos um caminho muito diverso, que não passa através do poder e da potência. Com efeito, Ele afirma: «Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos, o servo de todos» (Mc 9, 35).

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