Carta de janeiro, 2017

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Père Farias

Caríssimos casais

Tem-se discutido muito nos últimos tempos no interior do nosso Movimento sobre o sentido da nossa missão na Igreja hoje. Aliás isto corresponde aos recentes apelos do Papa Francisco, nas suas mensagens às famílias e muito concretamente no encontro com os Responsáveis em Roma, em Setembro de 2015. Esta é, aliás, apenas uma concretização no que a nós diz respeito, do que ele deseja de toda a Igreja e de cada cristão. Desde a Evangelii Gaudium (2013)que ele repete continuamente que cada cristão deve ser discípulo missionário.

O concílio Vaticano II diz dos leigos que a sua missão é santificar as realidades terrestres, ordenando-as segundo Deus (LG 31). Se olharmos para nós, como Movimento, ele é antes de mais uma dinâmica de aprofundamento espiritual a partir do sacramento do matrimónio. Podemos dizer que essa é a nossa graça das origens, o nosso carisma e a nossa missão, que o Espírito Santo inspirou ao P. Caffarel e aos primeiros casais. Naquele tempo, a preocupação principal era espiritual: levar os casais a viver a santidade cristã como casais. Hoje essa preocupação continua de pé, mas acrescida do facto de vivermos uma crise sem precedentes, tanto na Igreja como na humanidade, em geral, que afecta os atributos essenciais do matrimónio, como grandeza humana e cristã, bem enunciados tanto na Familiaris consortio de S. João Paulo II (22.11.1981), como na Amoris laetitia, do Papa Francisco (2016).

Então, quando hoje falamos de missão, não devemos fixar a nossa atenção apenas no fazer, como se se tratasse de fazer coisas no sentido que se dá em geral ao apostolado dos leigos. Isso é muito importante e não o devemos esquecer. Todavia, o acento deve ser colocado no ser. Por outras palavras, dar testemunho da alegria do consentimento incondicional dado ao cônjuge no momento da celebração do casamento; dar testemunho da alegria da unidade indissolúvel do amor que é mais forte que a morte; dar testemunho da alegria dos filhos acolhidos como dom de Deus, que não fazem mal nem à bolsa nem à saúde das mães. É assim que o casal se torna colaborador de Deus na obra da criação e da conservação do mundo, povoando com os filhos a terra e o céu (Gn 1,28)! Verdadeiramente o casal e especialmente o casal cristão são a obra mais bela da Criação!

Aqui está, caríssimos casais, a perspectiva para onde deve orientar-se a nossa atenção quando falamos hoje do sentido da nossa missão como movimento: não se trata somente de sair, mas de transmitir um testemunho que só é possível dar se o vivermos. Mas isto não é fácil, bem o sabemos. Tanto os conselheiros espirituais como os casais, temos a necessidade de estar bem alicerçados na graça, segundo a palavra do Senhor: «sem Mim não podeis fazer nada» (Jo 15,5). É para nos ajudar nesta espiritualidade e nesta missão que o Movimento coloca à nossa disposição a metodologia dos pontos concretos de esforço, dos quais eu tenho sobretudo insistido em dois e não me canso de o fazer, como sabeis. Sede fiéis a todos eles, mas especialmente à oração conjugal e ao dever de se sentar.

Deus vos abençoe e vos proteja, pela intercessão de Nossa Senhora.

P. José Jacinto Ferreira de Farias, scj
Conselheiro espiritual da ERI

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