Correo da ERI Março 2026

Casal Ligação da Zona América

Somos Cristiane e Luiz Antonio Brito, nascidos no Brasil, no estado de São Paulo, cidade de São José dos Campos. Temos 36 anos de casados duas filhas, dois genros e dois netos lindos que são uma alegria em nossa casa. Iniciamos nossa missão de casal ligação da Zona América na Equipe Responsável Internacional no Encontro de Turim em 2024 e logo de início pedimos que vocês nunca se esqueçam de orar por toda essa equipe pedindo o dom de discernimento, fortaleza e perseverança em todo o período de nossa missão. A Cristiane é empresária e possui três lojas do ramo de cosméticos em nossa cidade junto com nossas filhas que são sócias. O Brito é engenheiro e divide seu tempo entre trabalhos de engenharia e aulas na graduação e pós-graduação em uma universidade. Estamos profissionalmente bem ativos.

Começamos nossa jornada nas Equipes de Nossa Senhora em maio de 1999, em 2001 fomos casal responsável de equipe, em seguida casal ligação, casal responsável de Setor e Região, missão que finalizamos em 2013. De 2014 a 2018 fizemos parte da Equipe da Super-Região Brasil, onde cuidadávamos da comunicação, de 2018 a 2022 colaboramos na Equipe Internacional de Animação dos Intercessores e coordenamos o Conselho Editorial da Super-Região Brasil que fez uma revisão em vários documentos como os manuais de casal ligação, casal responsável Equipe, Setor e Região. E como já dissemos, iniciamos na Equipe Responsável Internacional como casal ligação da Zona América. Assim, desde que entramos no Movimento estamos em missão, e todos estes chamados são para nós um presente de Deus e lhe agradecemos a todo momento por estas oportunidades. Paralelamente às nossas missões no Movimento trabalhamos em nossa paróquia no encontro de preparação para o matrimônio desde 2002 até o momento e como ministros da Sagrada Eucaristia entre 2005 e 2022, servindo nas missas, levando a Eucaristia nas casas dos doentes e nos hospitais. Dessa forma goríamos que compartilhar com vocês nesse espaço um pouco dessa experiência sobre a importância da disponibilidade para a missão nas Equipes de Nossa Senhora. A missão é uma realidade para todos que estão no Movimento, se o chamado ainda não chegou, não se preocupe que chegará, pois toda a responsabilidade no movimento tem data para começar e acabar, há uma rotatividade dos casais que exercem as funções, de forma que todos em algum momento serão chamados.

No início destes diversos chamados nossa principal dúvida era porque nós estávamos recebendo essa missão e não outros casais que pensávamos, e ainda pensamos, serem mais preparados e mais capacitados do que nós. Nos primeiros chamados para as missões que já relatamos, como bons equipistas, procuramos o sacerdote conselheiro espiritual de nossa equipe que nos acalmou um pouco o coração. Ele colocou uma reflexão para nós baseado na passagem de Jo 15, 16 “não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi” e nos questionou: “ao invés de se perguntarem por que vocês, e perguntem, por que não vocês”. Essa reflexão nos tocou muito, “por que não nós”, o que nos impediria de aceitar o serviço? Aí nossa humanidade entrou em ação e fizemos uma longa lista de motivos para não aceitar o chamado. Mas após um pouco de reflexão e principalmente de oração e Eucaristia nossas desculpas foram caindo uma a uma. Não havia nada que nos impedisse de assumir as responsabilidades a qual éramos chamados. Aprendemos nesse período que se um problema é muito grande para você resolver, foge de suas capacidades, ele deixa de ser seu e passa a ser de quem é capaz de solucioná-lo, e como está escrito em Mt 9, 26 “para o homem é impossível, mas para Deus tudo é possível”. Desde então entregamos nossa missão e impedimentos para Deus. Em oração dizemos: “aceitamos a missão a qual nos chamou em tua Igreja, mas por favor, nos ajude com o que não conseguimos resolver”. Como dissemos logo no início, ainda somos ativos profissionalmente, e sempre entregamos nossos compromissos profissionais para Deus, ele cuida da nossa agenda. Deus é misericordioso, Deus não abandona ninguém, ele nos prometeu isso em Mt 28, 20, “Eis que estou convosco até o fim dos dias”.

Ainda outra reflexão que surgiu para nós veio de um editorial da Carta Mensal escrito em 1964 pelo Padre Henri Caffarel: “Mais modestamente, quero convidar cada qual a indagar de si: Por que entrei nas equipes? Para receber ou para dar?” Esse trecho nos ajudou na questão do “porque não eu” a qual já nos referimos. Mas ao nos aprofundarmos um pouco mais nos colocou outra questão: a nossa responsabilidade quando assumimos algo no Movimento, com os que aqui estão, e com os que nos antecederam, estejam ainda em nossa convivência ou não. Hoje, se pensarmos bem, é relativamente confortável ser equipista, basta nossa dedicação e esforço. Nosso Movimento possui vários níveis de responsabilidade, possui uma regra de passagem do serviço muito bem definida, possui uma metodologia própria para as reuniões mensais, possui documentos formativos que nos preparam para nossa caminhada rumo a santidade, recebemos temas de estudo anuais, incentivos para nos aprofundarmos nos pontos concretos de esforço e são oferecidas várias oportunidades de formação no âmbito de Igreja e do Movimento. Mas, e os que nos antecederam, já imaginaram como foi difícil construir tudo isso? Pensaram como foi lidar com uma nova forma de ver o matrimônio dentro Igreja, a espiritualidade conjugal? Pensaram quantos desistiram, mas principalmente quantos perseveraram? E são justamente em respeito aos que perseveraram que devemos pensar em também dar a nossa parte para o Movimento e não somente receber. Se não fosse pela grande dedicação de muitos pioneiros simplesmente hoje não haveria as Equipes de Nossa Senhora, e também é pela nossa dedicação, que outros estarão no Movimento no futuro. Ou alguém pensa em deixar o Movimento acabar ou enfraquecer em seu país por não estar disposto ao serviço, por não estar disposto a assumir uma missão de Casal Piloto, Responsável de Setor e Região ou qualquer outra das diversas oportunidades que o Movimento nos proporciona?

A missão também implica na oração, em discernimos o que Deus quer de nós. Aceitar uma missão não é deixar de ser equipista, não nos libera de retiros, da oração, meditação, leitura da palavra e principalmente da Eucaristia, pelo contrário, nos compromete ainda mais. Os pontos concretos de esforço são uma ferramenta poderosa que recebemos de nosso Movimento para discernir a vontade de Deus. Lembremos que não fomos nós que escolhemos a missão que assumimos, mas que Deus nos escolheu para essa missão, que Deus viabiliza nossa participação nessa missão, que Deus nos ampara em nossos medos e inseguranças, e o faz para que seja feita a Sua vontade e não a nossa. E para conhecermos a vontade de Deus, somente com a oração, meditação e Eucaristia, e assim, conseguiremos nos entregar a ação do Espírito Santo para a missão render frutos.

Podemos também lembrar de mais uma fala do Padre Henri Caffarel que assim já animava as Equipes de Nossa Senhora em 1959 com sua radicalidade peculiar: “Com mais convicção ainda do que no dia em que escrevia pela primeira vez, eu penso que as Equipes de Nossa Senhora não devem ser refúgio de adultos, mas corpos de guerrilheiros compostos unicamente de voluntários, cujos membros procuram encarecidamente aprofundar seu cristianismo, a fim de vivê-lo sem comprometê-lo na família, na profissão e no mundo”. Duas palavras pedimos para vocês refletirem, de uma forma madura, talvez em um dever de sentar-se: refúgio de adultos e voluntários. Pensem nessas duas opções, qual mais agrada a Deus? E ao final dessa reflexão que compartilhamos com vocês, deixamos uma convicção que construímos durante esse tempo em missão: “o sim pode ser difícil, mas o não é impossível”

Um grande abraço a todos, contem com nossas orações. Fiquem com Deus.

Cristiane e Brito, Casal Ligação da Zona América da Equipe Responsável Internacional


O Conselheiro Espiritual das Equipes no ensinamento dos Papas – II

Na carta de dezembro de 2025, eu propunha iniciar uma leitura das palavras dos últimos Papas dirigidas aos conselheiros em suas mensagens às Equipes de Nossa Senhora.

Nesta carta, continuamos com o Papa Paulo VI, lendo sua mensagem dirigida às Equipes de Nossa Senhora em 22 de setembro de 1976, na audiência aos participantes do V Encontro Internacional reunido em Roma. Lembremos o tema deste encontro: «As Equipes de Nossa Senhora a serviço da Evangelização».

Imediatamente após destacar a importância do carisma do Movimento e, além disso, encorajá-lo a «permanecer» fiel à sua vocação como «escolas de espiritualidade conjugal» fiéis ao Magistério da Igreja, o Santo Padre Paulo VI se dirigiu aos conselheiros nestes termos:

Aos conselheiros das equipes, «os exorto eu, copresbítero, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da Glória que há de se revelar» (1 Pd 5,1). Não hesiteis em oferecer o melhor de vossa competência, de vossas energias e de vosso zelo pastoral, a este campo apostólico privilegiado. Encontrareis nele uma parcela da Igreja, da qual vós sois pastores. Não cedais à tentação de pensar que vosso trabalho pastoral se limita a um pequeno grupo de cristãos. Vosso labor se multiplicará pela influência de tantos casais. Vós os ajudais a aprofundar sua vida cristã; que a vossa se aprofunde na mesma medida.

  1. «Aos conselheiros das equipes, “os exorto eu também, ancião como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que está prestes a se manifestar” (1 Pd 5, 1).»

Este texto bíblico poderia ser simplesmente considerado um gesto gentil do Santo Padre. Mas também é possível ver nele uma mensagem que quer transmitir aos conselheiros.

Vejamos o que Pedro diz aos anciãos. No final desta carta, incluindo-se a si mesmo entre os anciãos, Pedro os exorta a apascentar as Igrejas locais como bons pastores. Lembrando-lhes que sua autoridade pastoral para guiar, instruir e proteger o rebanho a seu cuidado deriva da autoridade suprema de Cristo «o soberano pastor» (5, 4). Além disso, como responsáveis pelo bem-estar do rebanho do Senhor, adverte os presbíteros para que não abusem de sua autoridade com rancor, avareza ou opressão (5, 2-3). Devem exercer este serviço «de bom grado» e não como um dever pesado. Da mesma forma, não devem ser motivados pela «cobirça», mas pelo desejo de servir a comunidade (5, 2b).

Por último, e o mais fundamental, os presbíteros não devem «dominar» aqueles que lhes foram confiados, mas ser modelos ou exemplos para a comunidade. Através da forma como os presbíteros exercem sua liderança, podem testemunhar os sofrimentos redentores de Cristo (5, 1). A recompensa que lhes é oferecida é a mesma visão que atrai toda a comunidade para o futuro: «a coroa de glória que não murcha» (5: 4). Esta participação na glória ocorrerá «quando se revelar o pastor supremo» (5: 4).

  1. «Não hesiteis em oferecer o melhor de vossa competência, de vossas energias e de vosso zelo pastoral, a este campo apostólico privilegiado. Encontrareis nele uma parcela da Igreja, da qual vós sois pastores.»

O Santo Padre reconhece no movimento das Equipes de Nossa Senhora um «campo apostólico privilegiado», sem dúvida, considerando a vida matrimonial e as famílias, e, além disso, o confirma como «uma parcela da Igreja», com a clara intenção de assegurar aos padres conselheiros que em seu serviço às ENS estão servindo também à Igreja como pastores, assim como fazem em seu ministério pastoral paroquial e diocesano, à semelhança de Cristo, Bom Pastor. Lembremos as recomendações de Pedro aos presbíteros.

Este reconhecimento é muito importante, sobretudo se tivermos presente que ainda para alguns padres e bispos, o caráter supradiocesano e não paroquial do Movimento dificulta-lhes entendê-lo, acolhê-lo e muito mais aceitar o convite como conselheiros quando os casais não pertencem à sua paróquia ou jurisdição eclesiástica.

O Papa Paulo VI exorta os conselheiros a «não hesitar» em oferecer o melhor de suas capacidades intelectuais, humanas e pastorais no serviço às equipes de casais como pastores que são da Igreja. Portanto, o serviço do conselheiro não pode ser visto, nem pelos casais, nem pelos padres, como algo isolado ou simplesmente um trabalho extra ao seu ministério pastoral na Igreja.

  1. «Não cedais à tentação de pensar que vosso trabalho pastoral se limita a um pequeno grupo de cristãos. Vosso labor se multiplicará pela influência de tantos casais.»

O Santo Padre adverte sabiamente sobre a dúvida que acomete tantos padres conselheiros que, além disso, são párocos de pequenas ou grandes paróquias, ao pensar que estão perdendo seu tempo com um grupo de 5 ou 7 casais das equipes. Diante desta tentação, o Santo Padre lhes lembra que os casais equipistas em seu dever missionário irradiarão entre muitos outros casais e famílias os bens espirituais aprendidos e vividos no movimento. A Igreja reconhece que os casais cristãos, pela graça do sacramento, são os principais agentes da pastoral familiar.

Esta tem sido minha experiência como conselheiro e pároco. Os casais das equipes são os que agora são responsáveis pelo curso pré-matrimonial, pela catequese pré-batismal, pelos retiros anuais para os casais da paróquia, etc. Os convido porque nas equipes e no acompanhamento dos conselheiros, eles recebem uma formação doutrinária e espiritual sólida que não apenas os capacita para ensinar, mas os anima a ser testemunhas do amor conjugal e familiar, não com teorias, mas mostrando a partir da experiência o atrativo do amor vivido no sacramento do matrimônio. Neste sentido, a espiritualidade conjugal e a missão se enriquecem mutuamente.

  1. «Vós os ajudais a aprofundar sua vida cristã; que a vossa se aprofunde na mesma medida.»

Esta última recomendação do Santo Padre me sugere propor-lhes para reflexão um texto do Guia sobre «O Padre Conselheiro e o Acompanhamento Espiritual nas ENS», quando alude à complementaridade entre os casais e os conselheiros:

O longo caminho percorrido pelas ENS de todo o mundo à luz do Concílio Vaticano II permitiu compreender que padres e leigos podem ajudar-se mutuamente a progredir no conhecimento do mistério de Cristo. Por um lado, os padres acompanham os casais no difícil discernimento que são chamados a fazer cotidianamente, e por outro a presença de casais que rezam e que se amam ajuda os padres a exercer seu ministério com mais dinamismo e profundidade fecunda. (p.17)

Edmonton, Marzo de 2026

Padre Augusto Garcia PSS